MANEJO DE INVERNO – promover a ambiência adequada a cada fase da produção está ao alcance de todos

Djane Dallanora djane@integrall.org Integrall Soluções em Produção Animal – Doutora Universidade Federal do Rio Grande do Sul

A tradição de produção de suínos da região Sul brasileira e a ampla expansão da atividade para as regiões Sudeste e Centro-Oeste levaram à necessidade de adequação das instalações e do manejo à diversidade climática do país.

Se em algumas situações os suínos enfrentam as adversidades das constantes temperaturas elevadas e variações de umidade relativa do ar, em outras, as amplas variações de temperatura ao longo do ano (acima e abaixo da zona de conforto térmico) exigem instalações que possibilitem aquecimento e resfriamento de acordo com a situação.

A zona de conforto térmico, determinada pelas temperaturas ideais para cada fase, é limitada pela temperatura crítica inferior, ou seja, pela temperatura ambiental abaixo da qual o animal aciona seus mecanismos termorregulatórios no sentido de produzir calor corporal, e pela temperatura crítica superior, que é a temperatura ambiental acima da qual ocorre a termorregulação no sentido de auxiliar o animal na dissipação de calor corporal.

Com a chegada dos meses de outono e inverno, as temperaturas baixas (freqüentemente abaixo do limite crítico inferior) tornam-se fatores predisponentes para a ocorrência de problemas respiratórios nas creches e nas terminações e entéricos nas maternidades e creches.

Independentemente do tamanho do plantel, tipo de instalação ou tempo de uso da granja, podem ser utilizados equipamentos e acessórios anexos às edificações, para minimizar a interferência do ambiente externo sobre o suíno confinado e produzir um microclima interno adequado à fase de produção, a fim de fornecer as condições para que o leitão manifeste todo o seu potencial de crescimento. Essa condição ambiental conhecidamente exerce efeitos diretos e indiretos sobre os suínos em todas as fases de produção, os quais se agravam nas fases iniciais da produção pela alta susceptibilidade às baixas temperaturas dessa fase do ano.

Cuidados para manutenção do ambiente adequado para os leitões no outono e inverno:

Manejo do ambiente na maternidade

Um dos principais desafios relacionados ao conforto térmico e bem estar animal está na maternidade, onde existem dois ambientes com exigências distintas a serem organizados. Na realidade, essa á a fase onde a necessidade de conforto fica mais evidente, porém as fases de creche e terminação parecem ser as mais negligenciadas na rotina dos sistemas de produção.

A faixa de temperatura para conforto dos leitões lactentes varia com a idade. Para o leitão ao nascimento, a faixa de conforto está entre 31 e 34ºC e aos 35 dias, entre 26 e 30ºC, sendo que a temperatura ideal para a matriz está entre 16 e 21ºC (Perdomo et al., 1987, Sobestiansky et al, 1998). Alguns autores relatam que a ingestão de alimento pelas fêmeas em lactação diminui em 100g para cada grau centígrado da temperatura acima da zona de conforto térmico, já os leitões reduzem a sua atividade motora, ingerem menos colostro ou leite, aumenta a predisposição ao esmagamento e problemas sanitários em situações de frio. Para garantir o ambiente ideal para matrizes e leitões, podemos utilizar as cortinas nas salas de maternidade, forro e o escamoteador, especialmente.

As cortinas controlam a ventilação natural, auxiliando na manutenção e a temperatura interna da instalação, protegendo os leitões da incidência direta do vento sobre eles. Elas devem ser instaladas envelopadas e individuais por sala de maternidade. A regulagem da abertura das cortinas é uma atividade dinâmica e deve ser feita a cada mudança na direção do vento, aumento ou queda de temperatura e chuva, de modo a assegurar o menor efeito possível das variações externas de ambiente sobre a temperatura no interior da instalação. Devem ser mantidas em bom estado de conservação e com seu sistema de abertura/fechamento em funcionamento para que desempenhem adequadamente a sua função (figura 1).

O escamoteador tem o objetivo de disponibilizar ao leitão um ambiente seco, com aquecimento adequado e luminosidade, onde o leitão se sinta confortável e passe a maior parte do tempo em que não estiver mamando. Esse anexo da baia de parição deve ser construído com materiais que facilitem a limpeza e desinfecção. As dimensões devem levar em consideração uma projeção do número de leitões nascidos vivos e o peso de desmama. Deve proporcionar boa vedação, distribuir calor uniformemente, evitar correntes de ar e reduzir o custo de aquecimento (figura 2).

A fonte de aquecimento do escamoteador pode ser uma lâmpada ou as diversas formas de aquecimento de piso disponíveis no mercado (resistências, tapetes). A potência das lâmpadas deve ser adequada à temperatura do ambiente e à semana de vida do leitão, utilizando lâmpadas mais potentes nos dias mais frios e na primeira semana e menos potentes nos dias quentes e nas semanas seguintes da lactação. Independentemente da fonte de calor, os ajustes devem ser feitos de modo a permitir a manutenção da temperatura adequada dentro do escamoteador, o que o tornará atrativo para os leitões, caso contrário, irão abrigar-se junto da mãe, aumentando o risco de morte por esmagamento. Escamoteador frio ou muito quente, escuro e/ou úmido provavelmente se tornará local de micção e defecação para os leitões. Mesmo em regiões de clima quente, o escamoteador é indispensável, já que tem função importante sobre a redução das mortes por esmagamento.

Manejo do ambiente na creche

A sala de creche antes de receber os leitões, além de estar lavada, desinfetada e ter passado por vazio sanitário, deverá estar aquecida mantendo uma temperatura próxima a 28-32°C, sem correntes de ar. É importante que se tenha o controle objetivo da temperatura por meio do acompanhamento diário com termômetro de máxima e mínima em cada sala de creche, mas também é indispensável a observação do comportamento dos animais para se perceber a sensação térmica e conforto dos mesmos. A partir da terceira semana de alojamento na creche, a temperatura deve ser mantida entre 25-28°C.A colocação de forro sob o telhado permite manter a temperatura mais alta dentro da sala, economizando recursos utilizados para o aquecimento (energia elétrica, lenha, gás). Outra forma de aquecimento pode ser o forro sobre as baias (“cabana”- figura 3) que também auxilia na manutenção do conforto dos leitões, embora, por ficar muito próximo dos mesmos, exige o controle rigoroso da renovação do ar, pois pode promover o acúmulo de gases tóxicos como a amônia proveniente da fermentação dos dejetos.

As cortinas da creche têm as mesmas funções da maternidade, auxiliando a manutenção da temperatura, permitindo a renovação de ar das salas e impedindo a incidência direta de correntes de ar frio sobre os leitões. Entretanto, dependendo das condições climáticas, na maioria das vezes, nem sempre somente o uso de cortinas é suficiente para garantir o conforto térmico dos leitões, especialmente nas primeiras semanas de creche. Portanto, faz-se necessário dispor de alternativas para manter a temperatura ideal em cada fase. Dentre os mais conhecidos e utilizados sistemas de aquecimento para a creche estão:

- Ventilação forçada com ar aquecido: O ar é aquecido em uma caldeira e é lançado dentro das salas através de tubulações. Nesse sistema não há consumo de oxigênio da sala, pois o processo de combustão (da lenha, gás ou biogás) ocorre do lado externo da creche.

- Utilização de campânulas: pode ser usada energia elétrica (resistências ou lâmpadas infravermelhas), gás ou biogás. As campânulas são móveis, podendo ser transferidas de uma sala para outra. Quando se usa o gás, é preciso cuidado com a queima excessiva de oxigênio da sala que pode ocasionar desconforto aos animais. Recomenda-se fazer a renovação de ar manejando as cortinas com mais freqüência.

Manejo de ambiente na terminação

É muito comum que os leitões sejam transferidos das creches para as instalações de terminação, praticamente sem a preparação do ambiente da nova instalação, ou seja, saindo de uma temperatura controlada próxima de 25°C para a temperatura ambiente. Na fase de terminação pode ser utilizado o forro sobre parte da baia e as campânulas para promover uma adaptação gradativa às temperaturas mais baixas. A zona de conforto térmico dessa fase é de 25 a 18°C, sendo 15°C o limite crítico inferior. As cortinas apresentam mais uma vez a função de isolamento do ambiente interno (como nas demais fases) e a qualidade do ar deve ser mantida através da constante renovação durante o dia.

Em todas as fases da produção é possível adaptar as instalações para a época mais fria do ano, promovendo a máxima expressão de crescimento dos animais com bom retorno sobre o investimento. A atenção ao fornecimento da adequada condição de ambiente juntamente com a eficiente realização dos manejos básicos auxilia na melhoria da produtividade e reduzindo a ocorrência de surtos de problemas sanitários e a mortalidade e os custos com medicação.

Referências:

HANNAS, M.I. Aspectos Fisiológicos e a produção de suínos em clima quente.

Ambiência e Qualidade na Produção Industrial de Suínos. Piracicaba: FEALQ,

1999.

MOURA, D.J. Ventilação na suinocultura. In: SILVA, I.J.O (Ed.) Ambiência e qualidade na produção industrial de suínos. Piracicaba: Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz, 1999.

PERDOMO, C.C.; SOBESTIANSKY, J.; OLIVEIRA, P.V.A. et al. Efeito de diferentes sistemas de aquecimento no desempenho de leitões. Concórdia: Embrapa Suínos e Aves, 1987. p.1-3. (Comunicado Técnico, 122)

SOBESTIANSKY, J.; WENTZ, I.; SILVEIRA, P.R.S. et al. (Eds.) Suinocultura intensiva. Concórdia: Embrapa Suínos e Aves, 1998.


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